terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Certo é Incerto !?

Somos dotados de livre arbítrio. Temos o poder de decidir o que faremos de nossas vidas, estabelecer metas e estratégias para alcançarmos nossos objetivos. Mas, por vezes nos vemos diante de um empasse, daí vem aquela pergunta: E agora o que é que eu faço?. Podem ser tantas as alternativas que torna-se difícil decidir qual o caminho a seguir.
Em vários momentos da vida, nos vemos encurralados numa das suas esquinas, diante de 'incertezas'!
A vida é cheia de incertezas. Incertezas de vários tipos e que se manifestam de muitas formas diferentes. Existe a incerteza que tem a ver com a sua falta de definição a respeito de um determinado assunto. É a ausência de segurança quanto à decisão que precisa ser tomada. Existe também aquela incerteza que é uma espécie de desconfiança. É a dúvida sobre um fato estar ocorrendo, ou não. E existe a incerteza própria do mundo e da vida, que é a que considero a mais relevante, pois, na verdade, por mais que a gente tente, não pode ter controle sobre os acontecimentos futuros, nem mesmo sobre os presentes. Na realidade, a gente só consegue ser razoavelmente feliz quando reduz significativamente o nível de expectativas, pois a materialização destas também se insere, obviamente, neste impalpável campo das incertezas. Ou seja, aquilo que desejamos pode ou não acontecer.
Diz-se que "querer é poder". É claro que a dedicação e o esforço contam muito, mas o elemento imponderável está em todas as equações. A insistência e a perseverança podem aumentar as possibilidades de modo a que estas se tornem probabilidades. Mas ainda assim não são certeza. E nunca serão.
Queremos ter certezas e vivemos sempre na incerteza. Buscamos verdades absolutas e percebemos que tudo muda, é relativo, que tem ângulos. É doloroso constatar nossa ignorância fundamental.
Estamos no mundo , a deriva: temos de decidir o rumo com poucos instrumentos de navegação; conhecemos alguns “macetes”, temos algumas experiências consolidadas, mas há uma grande margem de insegurança em cada opção, em qualquer campo, em qualquer momento. Não temos garantias definitivas. Temos algumas certezas e muitas incertezas.
De tudo, de qualquer situação, leitura ou pessoa podemos extrair alguma informação, experiência que pode nos ajudar a ampliar o nosso conhecimento, seja para confirmar o que já sabemos, seja para rejeitar determinadas visões de mundo ou para modificar o seu enfoque.
Viver é ir aprendendo a decidir da forma mais tranquila possível entre mil possibilidades, que na sua grande maioria não se realizarão. É ir escolhendo e renunciando; ir avaliando e, ao mesmo tempo, reconhecendo que nunca temos a certeza das decisões, porque não temos a experiência do que aconteceria com as outras escolhas que deixamos de lado.
Viver é buscar permanentemente o sentido que se constrói no dia a dia, nas pequenas decisões. Sentido que vai revelando seu desenho em alguns momentos marcantes ou quando conseguimos enxergar mais do alto, momento em que obtemos uma perspectiva mais abrangente.
Esses momentos são fortes e nos ajudam a tentar ampliar os significados ocultos do cotidiano, quando tudo parece tão banal e repetitivo.
Podemos aprender a desvendar, a compreender e a aceitar os caminhos que já percorremos. Aprender a compreender e a aceitar as escolhas atuais, a permanente dúvida de estar acertando nas decisões, a incerteza do que deixamos de lado, do que poderíamos ter sido, ter feito, ter tentado. Equilibrar a manutenção de uma estrutura básica constante e de inúmeras pequenas escolhas novas, que acrescentam riqueza ao nosso presente, mas também trazem tensões e inseguranças.
Podemos aprender a compreender que, ao viver entre a segurança do já conhecido e a insegurança do novo, estaremos sempre abrindo novas perspectivas. E isso implica ganhos e perdas, envolve ampliação do nosso repertório e possível perda de síntese, gera dúvidas quanto a que decisões serão as melhores.
Podemos aprender a aceitar o fato de que viver é uma permanente prática de escolhas, de ganhos, de renúncias, de acertos e de erros, com os quais vamos construindo nosso mosaico, nosso caminho. E aceitar a precariedade de descobrir o que é permanente nas escolhas provisórias.
Podemos aprender a confiar em nós, quando estamos no meio de ondas gigantescas que nos jogam para todos os lados, principalmente para o chão, quando nos sentimos sacudidos por todas as partes, desorientado, sem saber para onde ir.
Somos tentados, com frequência, a “mudar”, a “sair dos nossos trilhos”, escolhendo de forma radical o oposto do que fazemos. É difícil avaliar se são alternativas de mudança ou fugas. Há mudanças que nos ajudam a crescer e outras que nos tiram de nosso eixo.
Muitas pessoas, diante da confusão e incerteza das escolhas, optam por “viver o momento”, por “não pensar”, por “curtir a vida”. Transformam seus dias em um agito permanente, em uma movimentação feérica atrás de gratificações contínuas. Mas percebe-se, numa análise mais profunda, que essa opção não é fruto de escolhas conscientes, mas de uma atitude fundamentalmente desesperada diante da vida. Correm para não terem que se enfrentar. Correm, porque intimamente não aceitam a si mesmas, não se gostam.
Aprendemos a viver quando navegamos na incerteza e, ao mesmo tempo, confiamos na nossa bússola, procuramos aprimorá-la e não punimos a nós mesmos por erros de pilotagem, mas, ao contrário, aprendemos com eles. Se equilibrarmos a incerteza e a confiança, encontraremos nossos melhores caminhos.
Portanto caro leitor internauta, viver é estar sempre de olhos abertos, aceitar-se, enfrentar decisões contraditórias e ir verificando se no todo estamos crescendo em paz e em relação. É constatar se, mesmo em situações não ideais, precárias, nós nos aceitamos melhor, se avançamos na compreensão de nós mesmos e do que nos rodeia, e se nos sentimos mais confiantes! Antes de decidir, pare, pense pondere, assim aumentará a chance de acertar, de atingir seus objetivos, de VENCER! A Luz de Olorum nos nossos caminhos! Até a próxima postagem!

domingo, 7 de julho de 2013

Julho, Mês de Nanã e de Oxumaré

Chegamos ao sétimo mês do ano, após os festejos juninos, em Salvador/Ba, comemora-se o 'Dois de Julho', data da Independência da Bahia, com desfile cívico composto de populares e de políticos. Na Lapinha, no bairro da Liberdade, em 1860, foi construído o pavilhão patriótico que abriga as carroças do caboclo e da cabocla, que são chamadas de carros emblemáticos, uma vez que têm como adornos brasões e outros símbolos nacionais, além dos nomes das batalhas e dos heróis da guerra.
Eles só saem de lá no dia 2 de julho, quando são conduzidos para o Largo do Campo Grande, onde, em 1895, foi inaugurado o Monumento à Independência da Bahia, criado pelo artista italiano Carlos Nicoli. Do alto de uma coluna de bronze, assentada sobre um pedestal de mármore Carrara, formado por dois corpos e escadarias do mesmo material, a figura de um índio, com 4,11m de altura, simboliza a afirmação da identidade brasileira.
Armado de arco e flecha, o caboclo mira uma serpente, que esmaga com seus pés. Além da alusão ao golpe desferido no poder da metrópole, o majestoso monumento de 25,86m de altura apresenta um série de representações das batalhas campais e dos nomes dos heróis que participaram das lutas de emancipação, bem como dos rios São Francisco e Paraguaçu, e da cachoeira de Paulo Afonso. Nos terreiros de Candomblé tais entidades também são referenciadas e populares também rendem homenagens a estas entidades, frente ao monumento, chegando a acender velas e fazer pedidos frente ao monumento erguido na Praça Dois de Julho.
Nos terreiros de Candomblé, em julho, rende-se homenagem a Nanã e a Oxumaré.
Nanã é a Senhora da morte, geradora de Iku (morte). Deusa dos pântanos e da Lama. Mãe da varíola, regente das chuvas, Nanã é de origem Jeje, da religião da Dassa Zumê e Savê, no Daomé, hoje conhecida com República de Benin. Entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos, existe um portal. É a passagem, a fronteira entre a vida e a morte que tem Nanã como sua regente.
A mais temida de todas os Orixás. A mais respeitada. A mais velha, poderosa e séria. Nanã é o encantamento da própria morte. Seus cânticos são súplicas para que leve Iku – a morte – para longe e quem permite que a vida seja mantida.
É a força da Natureza que o homem mais teme, pois ninguém quer morrer! Ela é a Senhora da passagem desta vida para outras, comandando o portal mágico, a passagem das dimensões.
Nas casas de Santo, Nanã é extremamente cultuada e temida, pelo poder que ostenta. É ela a mãe da varíola e se faz presente quando existe epidemia da doença.
Nanã também está presente nos lodaçais, lamaçais, pois nasceu do contanto com água com a terra, formando a lama, dando origem à sua própria vida. Em terras da África, Nanã é chamada de Iniê e seus assentamentos (objetos sagrados) são salpicados de vermelho.
Nanã é lama, é terra com contato com a água. Nanã também é o pântano, o lodo, sua principal morada e regência.
Ela é a chuva, a tempestade, a garoa. O banho de chuva, por isso, é uma espécie de lavagem do corpo, homenagem que se faz à Nanã, lavando-se no seu elemento. Por isso, não devemos blasfemar contra a chuva, que muita vezes estraga passeios, programas, compromissos, festas e acontecimentos. A chuva é a parte da vida, que vai irrigar a terra, Se ela cai demais, é porque a força da Natureza, Nanã, está insatisfeita.
Considerada a Iabá (orixá feminina) mais velha, foi anexada pelos iorubanos nos rituais tal a sua importância. Nanã é a possibilidade de se conhecer a morte para se ter vida. É agradar a morte, para viver em paz. Nanã é a mãe, boa, querida, carinhosa, compreensível, sensível, bondosa, mas que, irada, não reconhece ninguém.
Nanã é o Orixá da vida, que representa a morte. E a isso devemos o máximo respeito e carinho.
Os filhos de Nana são pessoas extremamente calmas, tão lentas no cumprimento das suas tarefas que chegam a irritar. Agem com benevolência, dignidade e gentileza. As pessoas de Nana parecem ter a eternidade à sua frente para acabar os seus afazeres; gostam de crianças e educam-nas com excesso de doçura e mansidão, assim como as avós. São pessoas que no modo de agir e até fisicamente aparentam mais idade.
Podem apresentar precocemente problemas de idade, como tendência a viver no passado, de recordações, apresentar infecções reumáticas e problemas nas articulações em geral.
As pessoas de Nana podem ser teimosas e “ranzinzas”, daquelas que guardam por longo tempo um rancor ou adiam uma decisão. Porém agem com segurança e majestade. As suas reações bem equilibradas e a pertinência das suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.
Embora se atribua a Nana um caráter implacável, os seus filhos têm grande capacidade de perdoar, principalmente as pessoas que amam. São pessoas bondosas, decididas, simpáticas, mas principalmente respeitáveis, um comportamento digno da Grande Deusa do Daomé.
Quanto a Oxumaré, podemos dizer que é a serpente-arco-íris; suas funções são múltiplas. Diz-se que ele é um servidor de Xangô e que seu trabalho consiste em recolher a água caída sobre a terra, durante a chuva, e levá-la de volta às nuvens.
Oxumaré é a mobilidade e a atividade. Uma de suas obrigações é a de dirigir as forças que produzem o movimento. Ele é o senhor de tudo o que é alongado. O cordão umbilical, que esta sob seu controle, é enterrado, geralmente com a placenta, sob uma palmeira que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore. Ele é o símbolo da continuidade e da permanência e, algumas vezes, é representado por uma serpente que se enrosca e morde a própria cauda. Enrola-se em volta da terra para impedi-la de se desagregar. Se perdesse as forças, isso seria o fim do mundo… Eis aí uma excelente razão para não se negligenciar as suas oferendas.
Oxumaré é, ao mesmo tempo, macho e fêmea. Esta dupla natureza aparece nas cores vermelha e azul que cercam o arco-íris. Ele representa também a riqueza, um dos benefícios mais apreciados no mundo dos iorubás.
Certas lendas de Ifá contam que “ele era, outrora, um babalaô ‘filho-do-proprietário-da-estola-de-cores-brilhantes’. Começou a vida com um longo período de mediocridade e mereceu, por essa razão, o desprezo de seus contemporâneos. Sua chegada final à glória e ao poder é simbolizada pelo arco-íris. E como a presença do arco-íris impede que a chuva caia, isso também demonstra a sua força.
O lugar de origem desse orixá, como Obaluaê e Nanã Buruku, seria em Mahi no ex-Daomé, onde é chamado Dan. As contas azuis, segi para os iorubás, são aí chamada Danni (“excremento-de- serpente”) na língua fon. Segundo a tradição, essas contas são encontradas sob a terra, onde elas teriam sido evacuadas pelas serpentes; diz-se que elas têm um valor igual ao próprio peso em ouro.
Dan desempenha, entre os mahi e os fon, um papel mais importante que Oxumaré para os iorubás, como divindade que traz a riqueza aos homens.
O orixá da riqueza é chamado Aje Sàlugá na região de Ifé, onde se diz que chegou entre os dezesseis companheiros de Odùduà. Ele é simbolizado por uma grande concha.
No Brasil, as pessoas dedicadas a Oxumaré usam colares de contas de vidro amarelas e verdes; a terça-feira é o dia da semana consagrado a ele. Seus iniciados usam brajá, longos colares de búzios, enfiados de maneira a parecer escamas de serpente, e trazem na mão um ebiri, espécie de vassoura feita com nervuras das folhas de palmeira. Outras vezes seguram também uma serpente de ferro forjado. Durante suas danças, seus iaôs apontam alternadamente para o céu e para a terra. As pessoas gritam “Aoboboí!!!” para saudá-lo. A Oxumaré são feitas oferendas de patos e pratos de comida onde se misturam feijão, milho e camarões cozidos no azeite-de-dendê.
Oxumaré é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacrifícios para atingir seus objetivos. Suas tendências à duplicidade podem ser atribuídas à natureza andrógina de seu deus. Com o sucesso tornam-se facilmente orgulhosas e pomposas e gostam de demonstrar sua grandeza recente. Não deixam de possuir certa generosidade e não se negam a estender a mão em socorro àquele que dela necessitam.
Portanto, caro leitor internauta, estamos num período coroado pela dualidade entre a vida e a morte representados por Nanã e da dualidade andrógina de Oxumaré, devendo-se respeitá-los e venerá-los pela condução dos destinos de seus filhos e evocá-los para que se obtenha sucesso e que deles emanem energias de inteligência e sagacidade para obtenção de nossos objetivos! Olorum sempre nos nossos caminhos com a sua Luz e Proteção! Até a próxima postagem!



domingo, 23 de junho de 2013

É Assim que se faz uma Nação!

Vivemos um momento histórico no Brasil: o povo está indo as ruas para protestar contra os gastos abusivos com a Copa da Nações, inflação galopante, aumento nas tarifas de ônibus, impunidade dentre tantos outros motivos que marcam o momento deste despertar geral do sonho construído pela 'política marrom' nos últimos anos no solo brasileiro. Na sua predominância, composta de jovens, esta massa de protestantes está indo as ruas e mostrando a insatisfação do povo com a atual situação do país.
Enquanto fortunas em dinheiro público são gastas para erguer templos de culto ao esporte, verdadeiras obras faraônicas, para a realização da Copa do Mundo no próximo ano, necessidades gritantes nas áreas da saúde, educação e transporte público, são deixadas em segundo plano, sendo priorizado a aceleração no término das obras em estádios que irão abrigar os torneios esportivos da futuro certame entre nações pela taça de melhor time mundial de futebol. Percebe-se aí, a omissão dos governantes às necessidades básicas imediatas da população, disfarçada pela 'festa inventada' para 'simular' a realização do futuro evento, numa tentativa de desviar a atenção da população, aos problemas supra citados. Mas, a 'brava gente brasileira' tem mostrado que os tempos agora são outros!
Como disse anteriormente, a nossa população é basicamente jovem. Mesmo vindos de uma geração com pouca noção de natividade e que se iludia facilmente permanecendo omissa a atitudes políticas no passado, agora está atenta a tudo o que acontece e cobra dos políticos por eles eleitos, providências para a situação caótica que vem se instaurando no país. Agora até mesmo o homem do campo tem acesso a informação pela internet, não é mais aquele matuto, eleitor de cabresto, que trocava seu poder decisório por migalhas. Ele agora reivindica e cobra, enxerga mais além do que uma festa de comoção nacional, conectam-se a redes sociais, estuda, trabalha e que está adquirindo visão de civilidade sendo capaz de se mobilizar e mobilizar a tantos outros. Isso me faz ter orgulho do povo desta terra que tanto amo, sofrido e corajoso e vê que é hora de dar um 'basta' , de gritar alto , de ir as ruas, de clamar por justiça e por causas sociais. 'Prá frente, BRASIL! , Salve a nação brasileira!'
É lamentável que um momento histórico tão bonito, estar sendo 'manchado' pela atitude de vândalos, aproveitadores da situação de tumulto, para instaurar o pânico, a violência e o temor a população, dando uma conotação errônea ao movimento, quando despertamos para um novo tempo. Amigos, protesto não é sinônimo de 'baderna'!
Ressalto que não sou contra a paixão nacional pelo futebol, a prática do esporte sempre foi e sempre será saudável. A competição, quando bem orientada e bem conduzida, pode trazer progresso na busca da supressão do oponente no campo de batalha. Mas, quando isso pode ser usado para camuflar uma situação de engodo de toda uma Nação, torna-se algo preocupante. Vamos torcer pela nossa Seleção sim, mas antes de tudo, para que esta seja uma verdadeira festa é necessário que tenhamos, saúde, educação e necessidades básicas satisfeitas. Afinal somos ou não um país em desenvolvimento!?
Olorum é amante da Paz. Ele é a própria Paz. Habitando no lugar mais alto, é capaz de ver a cada um de nós, nossos erros e acertos, nossas atitudes e reações. Como todo bom Pai, só quer o bem estar de seus filhos. Para que sejamos dignos de suas bençãos é primordial que tenhamos merecimento. Vamos pacificamente as ruas, vamos gritar e exigir pelos nossos direitos, mas sem violência, respeitando os direitos dos nossos semelhantes. Não é com saques e vandalismo que resolveremos esta situação. O Amor deve ser a força que move o mundo. Procuremos o diálogo e a negociação, caminhos para o entendimento.
Que a Comunhão e o bem estar sejam alvo de nossos dias! Olorum nos nossos caminhos! Até a próxima postagem!
 

sábado, 15 de junho de 2013

Parabéns a Antônio, parabéns a Fernando e ... parabéns ao amor!


 
“Santo Antônio

Que seria de mim meu Deus/Sem a fé em Antônio/A luz desceu do céu/Clareando o encanto/Da espada espelhada em Deus/Viva viva meu santo/Saúde que foge/Volta por outro caminho/Amor que se perde/Nasce outro no ninho/Maldade que vem e vai/Vira flor na alegria/Trezena de junho/É tempo sagrado/Na minha Bahia/Antônio querido/Preciso do seu carinho/Se ando perdido/Mostre-me novo caminho/Nas tuas pegadas claras/Trilho o meu destino/Estou nos teus braços/Como se fosse/Deus menino” - Autor: J. Velloso

“Todas as cartas de amor...

Todas as cartas de amor são/Ridículas./Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas./Também escrevi em meu tempo cartas de amor,/Como as outras,/Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,/Têm de ser/Ridículas./Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram/Cartas de amor/É que são/Ridículas./Quem me dera no tempo em que escrevia/Sem dar por isso/Cartas de amor/Ridículas./A verdade é que hoje/As minhas/memórias/Dessas cartas de amor/É que são/Ridículas./(Todas as palavras esdrúxulas,/Como os sentimentos esdrúxulos, /São naturalmente/Ridículas.)”
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) 21/10/1935

Começo esta minha postagem com as citações poéticas de dois autores, os quais admiro. O primeiro por ter transformado em música, a devoção por Santo Antônio, Ogum no sincretismo religioso e o segundo por ser um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, que escreveu sob o pseudônimo de Álvaro Campos, esta 'ode' aos seres românticos que acreditam no amor. Ainda sobre Fernando Pessoa, podemos dizer que ele completaria 125 anos se fosse vivo até hoje, no dia dedicado ao Santo casamenteiro, no mês que também comemoramos o dia dos namorados.
Devoção, romantismo, comemoração e admiração por alguém digno de ser admirado, me levam a imaginar se este escritor português, independente de ter nascido no dia dedicado a Santo Antônio, se ele também não poderia ter sido um Filho de Ogum? Características comuns aos filhos de Ogum e ao nosso poeta, alvo de minha admiração, me fazem refletir sobre esta premissa.
Um filho de Ogum, tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, aonde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto, típico dos poetas.
Normalmente muito diferente o temperamento de Ogum e Oxum. São conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, consequentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina, tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo.
Ogum e Oxóssi eram irmãos inseparáveis, no Candomblé e um orixá muito cultuado e também na Nigéria. Também temos diversas qualidades (caminhos) deste Orixá como Ogum Xoroquê. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande.
Os filhos de Ogum custam a perdoar as ofensas dos outros. Não são muito exigentes na comida, no vestir, nem tão pouco na moradia, com raras exceções. São amigos camaradas, porém estão sempre envolvidos com demandas. Divertidos, despertam sempre interesse nas mulheres, tem seguidos relacionamentos sexuais, e não se fixam muito a uma só pessoa até realmente encontrarem seu grande amor.
São pessoas determinadas e com vigor e espírito de competição. Mostram-se líderes natos e com coragem para enfrentar qualquer missão, mas são francos e, às vezes, rudes ao impor sua vontade e ideias. Arrependem-se quando veem que erraram, assim, tornam-se abertos a novas ideias e opiniões, desde que sejam coerentes e precisas.
As pessoas de Ogum são práticas e inquietas, nunca "falam por trás" de alguém, não gostam de traição, dissimulação ou injustiça com os mais fracos.
Nenhum filho de Ogum nasce equilibrado. Seu temperamento, difícil e rebelde, o torna, desde a infância, quase um desajustado. Entretanto, como não depende de ninguém para vencer suas dificuldades, com o crescimento vai se libertando e acomodando-se às suas necessidades. Quando os filhos de Ogum conseguem equilibrar seu gênio impulsivo com sua garra, a vida lhe fica bem mais fácil. Se ele conseguisse esperar ao menos 24 hs. para decidir, evitaria muitos revezes, muito embora, por mais incrível que pareça, são calculistas e estrategistas. Seu maior defeito é o gênio impulsivo e sua maior qualidade é que sempre, seja pelo caminho que for, será sempre um Vencedor.
A sua impaciência é marcante. Tem decisões precipitadas. Inicia tudo sem se preocupar como vai terminar e nem quando. Está sempre em busca do considerado o impossível. Ama o desafio. Não recusa luta e quanto maior o obstáculo mais desperta a garra para ultrapassá-lo. Como os soldados que conquistavam cidades e depois a largavam para seguir em novas conquistas, os filhos de Ogum perseguem tenazmente um objetivo: quando o atinge, imediatamente o larga e parte em procura de outro. É insaciável em suas próprias conquistas. Não admite a injustiça e costuma proteger os mais fracos, assumindo integralmente a situação daquele que quer proteger. Sabe mandar sem nenhum constrangimento e ao mesmo tempo sabe ser mandado, desde que não seja desrespeitado. Adapta-se facilmente em qualquer lugar. Come para viver, não fazendo questão da qualidade ou paladar da comida. Por ser Ogum o Orixá do Ferro e do Fogo seu filho gosta muito de armas, facas, espadas e das coisas feitas em ferro ou latão. É franco, muitas vezes até com assustadora agressividade. Não faz rodeio para dizer as coisas. Não admite a fraqueza e a falta de garra.
Têm um grave conceito de honra, sendo incapazes de perdoar as ofensas sérias de que são vítimas. São desgarrados materialmente de qualquer coisa, pessoas curiosas e resistentes, tendo grande capacidade de se concentrar num objetivo a ser conquistado, persistentes, extraordinária coragem, franqueza absoluta chegando à arrogância. Quando não estão presos a acessos de raiva, são grandes amigos e companheiros para todas as horas.
Fisicamente, costumam ser de tipo esguio e procura sempre manter-se bem fisicamente. Adora o esporte e está sempre agitado e em movimento, tendem a ser musculosos e atléticos, principalmente na juventude, tendo grande energia nervosa que necessita ser descarregadas em qualquer atividade que não implique em desgastes físicos.
Sua vida amorosa tende a ser muito variada, sem grandes ligações perenes, mas sim superficiais e rápidas.
Daí, o meu questionamento quanto ao regente de cabeça do grande Fernando Pessoa não ser Ogum. Para afirmar-se, de cátedra, seria necessário que se fizessem estudos dentro da religião do Candomblé, além de uma simples comparação de características comuns, mas eu ficaria particularmente feliz se tal afirmação fosse verdadeira, pela fé que coloco nas forças de Ogum, bem como pela admiração que tenho pela obra de Fernando Pessoa, nascido no dia consagrado a Antônio, no mês dedicado ao amor, aos namorados.
A você, caro leitor, as bençãos de Olorum, a proteção de Ogum e que tenha o amor sempre presente na sua vida! Até a próxima postagem!

sábado, 8 de junho de 2013

Candomblé - Religião e Preconceito

O Candomblé surgiu no Brasil da segunda metade do século XVI, advindo da África. O cenário encontrado aqui era triste, pois chegavam aos portos brasileiros inúmeros navios trazendo seres humanos tratados como animais desprezíveis e mercadorias muito valiosas: os africanos.

Esse comércio escravagista reuniu no Brasil cerca de quatro milhões de africanos, dando lugar a um modelo de religião chamado Candomblé, significando culto e oração.

Naquela época, os senhores de engenho proibiam toda e qualquer manifestação religiosa dos escravos. Como os Senhores impunham a religião católica, os mesmos tiveram que enganar seus donos, criando assim o sincretismo religioso, onde santos da igreja católica, por terem estórias de vida parecidas com as dos orixás, foram utilizados. Surgiu então o sincretismo religioso. Exemplos disso é Iansã sincretizada com Santa Bárbara e os Ibejis, sincretizados com Cosme e Damião.

Talvez por vir de uma situação de proibição no passado, bem como da má interpretação de seus dogmas e conceitos, nós os adeptos do Candomblé, até hoje sofremos preconceito dentro da sociedade.

Segundo a constituição brasileira, todo e qualquer brasileiro tem direito a prática religiosa sem descriminação. O que não acontece na realidade. Vivemos em um cenário cada vez maior de intolerância religiosa. Creio que essa intolerância seja devido ao desconhecimento da cultura, dos rituais e da religião em si.

Sabemos que Deus é unigênito. É um ser Sagrado e Perfeito. Não importa o nome que seja dado a Ele. Deus, Oxalá, Jeová, Emanuel... Todo ser humano que Nele crê, cultua o mesmo Deus, diferenciando única e exclusivamente a forma de culto.

As igrejas evangélicas nos julgam como adoradores do diabo. Creio que este julgamento seja forte demais. No Candomblé cultuamos o mesmo Deus que eles cultuam.

Quando se vai a uma igreja evangélica, pode ser dito que “Você tem um encosto”, “Fizeram uma obra de feitiçaria para acabar com a sua vida”, “Tem trabalho feito para você, por isso sua vida está ruim”.

O que muitas pessoas provavelmente não sabem ou esquecem, é que a maldade, a inveja, o ódio estão no coração do ser humano e não nos espíritos.

O Espiritismo hoje, infelizmente tem sua imagem denegrida por pessoas que fazem dele um comércio, que enganam as pessoas, que pegam quantias de dinheiro absurdas e nada fazem para ajudar e sim para que a pessoa sempre precise dela, e assim pegar mais dinheiro.

Certa feita me perguntaram porque um Exu, nunca deixa de ser um Exu: porque eles nunca evoluem espiritualmente se tornando um ser de luz? .... Refleti e cheguei a conclusão que Exus são vistos como seres do mau, mas são os espíritos mais parecidos com o ser humano. Se você recompensar uma criança e pedir para ela atirar pedras na vidraça do vizinho, ela certamente o fará; Se você pedir qualquer coisa para um Exu, e prometer uma vela para ele, ele também vai fazer o que você pediu, seja o bem ou mal para alguém. O motivo pelo qual os Exus nunca evoluem no seu grau espiritual é simples: Se um Exu atender 10 pessoas num dia, uma vai pedir uma coisa boa, ou um bem para alguém, com esse pedido bom ele ganha luz. Mas o pouquinho de luz que ele ganhou com essa boa ação ele perde em seguida com as outras nove maldades que vão pedir a ele.

O bem ou o mal que existe no espiritismo, não está relacionado tanto aos médiuns, mas principalmente as pessoas que vão em busca de maldade e desgraça para o próximo.

Geralmente, são raras as pessoas que pedem o bem para outrem, mais comum que peçam para si próprias. Os indivíduos chegam com ódio no coração. Querem transformar a vida daquele 'ex' num inferno porque foram abandonadas, querem que aquela pessoa que as incomodam no trabalho perca o emprego e coisas desse tipo.

No Candomblé, existe um fundamento que considero como mais importante que é tudo o que você faz para alguém você recebe em dobro. Ou seja, se você faz o bem, coisas boas acontecem a você. Caso contrário, coisas más lhe acontecerão.

Portanto, não é a forma de cultuar ao Nosso Deus que vai determinar se uma pessoa é boa ou má. Índole é algo de muito particular e a crença apenas congrega pessoas que acreditam nos mesmos dogmas e conceitos, sendo cada um responsável por si e consequentemente pelos próprios atos.

Daí, porque então discriminar esta ou aquela religião e suas formas de culto?

Aproveito o momento para deixar a todos um ponto de reflexão:

“Todos temos duas pessoas dentro de nós. Uma má e uma boa. Elas vivem numa constante luta pela sobrevivência. Só sobreviverá aquela que você mais alimentar!”

A Paz de Olorum com todos vocês! Até a próxima postagem!

domingo, 28 de abril de 2013

As Vestes no Candomblé

Como diz o dito popular: 'O hábito faz um monge!' E no Candonblé podemos observar isso. As roupas usadas num terreiro são carregadas de simbolismo e misticismo tal como os utensílios e elementos usados pelos seus adeptos no dia a dia e nos rituais alí celebrados. Então os convido a conhecer um pouco sobre estas vestes que cobrem seus adeptos na prática dos rituais e no cotidiano dos terreiros.

Roupa de ração é a roupa usada diariamente em uma casa de Candomblé. São roupas simples feitas de morim ou cretone.

As roupas de ração podem ser coloridas ou brancas, dependendo da ocasião na roça de candomblé. Compõem o jogo: saia (axó) de pouca roda para facilitar a movimentação, singuê (espécie de faixa amarrada nos seios que substitui o sutiã), camisa de mulata, geralmente branco e enfeitado com rendas e bordados, calçolão (espécie de bermuda amarrada por cordão na cintura, um pouco larga para facilitar a movimentação e proteger o corpo em casos que se é necessário sentar no chão), pano da costa e o ojá, um pano que se amarra à cabeça.

O axó tem uma representação muito grande no Jeje. A roupa fala de um simbolismo muito especial, que além de ético e moral, os axós dão para as mulheres posição e postura. É bonito se notar a forma e a reverência que estas roupas expressam em sua aparência e jeito: respeito acima de tudo! As mulheres de jeje, especialmente o mahin, quanto a composição de singuê, de xokotô (espécie de calça, também chamado "cauçulu"ou calçolão"), saia, e camisu, compoem seu axó.

O vestuário de uma Iyalorixá é diferente das roupas usadas pelas ekédis e yaôs, é caracterizada pelo uso da "Bata" que é usada por fora da saia com o camisu por baixo, nas casas tradicionais somente a Iyalorixá pode usar, se ela permitir suas filhas egbomis podem usar também, mas nunca permitirá o uso da Bata por uma ekédi, Yaô ou abian.

A Bata é símbolo de cargo ou posto dentro da hierarquia do candomblé. O pano da costa dobrado sobre o ombro também tem sua representação, é um símbolo de cargo pois as Yaôs o usam amarrado no peito, as egbomis na cintura e Iyalorixás no ombro.

Normalmente, saias e Batas de bordado Richelieu , também só são usadas pelas Iyalorixás, assim como o pano da costa de Alaká africano.

Os turbantes também chamados de torço ou ojá, usados na cabeça normalmente são maiores e mais ornamentados, assim como determinados fio-de-contas não podem ser usados por pessoas que não tem cargo, o (fio de ouro)por exemplo só pode ser usado por Iyalorixás com mais de 50 anos de Santo, símbolo de senioridade (como era usado por mãe Menininha).
Além do simbolismo do vestuário, existem muitos objetos que podem ser caracterizados e usados somente por Iyalorixás e Babalorixás, o anel de ouro com um búzio incrustado é um deles. O brinco de ouro com búzio antes também exclusivo das iyalorixás tornou-se de uso comum, sendo usado até por pessoas que não fazem parte da religião.

Na nação Jeje o uso do Humgebê só é permitido a quem já fez a obrigação de sete anos, ou melhor, é quando a pessoa recebe o hungebê que passa a ser um vodunsi.

Outra característica do vestuário é o uso do Ojá na cabeça, no Candomblé Jeje quem é de santo aboró usa o ojá com uma aba, e quem é de santa Iyabá ou Aiabá usa duas abas.

Os homens, quando participam em rituais ou nas dependências do Axé…, usam “roupa de ração”, uma calça amarrada com cordão, espécie do modelo pijama e camisa de mangas. Possibilidades de uso do pano da Costa curtas. O tecido é o morim;

-Não devem vestir bermudas ou short, especialmente se transitam em ambiente sagrado;

-A camisa de “ração” é sempre a mais indicada para Iyawôou Abiyan. Caso use bata, esta tem que ser curta.

Somente o Egbón pode usá-la mais longa, nos moldes africanos;

- Os filhos de santo podem usar roupas coloridas, dependendo da ocasião e da correspondência com o orixá;

Após três anos de obrigação, os filhos de santo podem usar chinelos;

-Uma Abiyan usa poucas anáguas. Suas saias e pano da Costa também devem ser de tecido simples, como morim ou algodãozinho. O Camisu deve ser simples, segundo modelo tradicional, com rendinhas na barra e mangas (opcional);

-O Ojá deve ser amarrado de maneira uniforme, tanto para Ayaba como para o Abòrixá Okunrin. O laço do peito pode ser mais aberto para a Ayaba, mais gracioso. Será mais discreto, em forma de gravata, para o Okunrin;

- As Abiyans andam descalças, de cabeça baixa, que designa a condição de pré-iniciadas;

- As Ayabas usam anágua com mais roda que as Olòrixá Okurin. Os Camisus devem ser engomados;

- Somente às Olòrixás Okurin, em qualquer hipótese, independentemente de tempo de iniciação e hierarquia, é permitido o uso de fios de conta atravessados;

- As Ayabas podem usar brincos, argolas, como símbolo de feminilidade. Isto não é permitido às demais, exceto às filhas de Oxalá, Xangô, Logunedé e Oxumarê. Os brincos desta podem conter búzios. No entanto, os brincos devem ser discretos, em harmonia com a ocasião e os trajes rituais. A preferência é por modelo de argola, tradicional ao longo de muitas gerações, chamado de “argolas de saia”;

- As Ayabas filhas de Oxalá e Logunedé usam pulseiras e anéis. As de Oxumaré usam braceletes de búzios;

-O torso da Olòrixá Obinrin é arrumado com as pontas para fora, à mostra, que denota um certo charme;

- As Egbóns têm direito ao uso da bata sobre o Camisu, substituindo, assim, o laço no pano da Costa. Elas se destacam das demais pela bata, símbolo da maioridade religiosa. A determinação do uso das batas no término de suas obrigações foi feita por Mãe Aninha. As Adosus maiores devem respeitar e manter as tradições do Axé… . Algumas senhoras ainda desrespeitam, talvez por ignorarem, a ordem da fundadora do Axé…, e circulam pelo terreiro de Camisu, sem pano da Costa.

-Alguns terreiros são mais rigorosos e o uso da bata é reservado às altas autoridades do Egbé. As filhas de santos comuns vão ao barracão descalças em dia de festa, vestindo Camisu, pano da Costa, laços e saia sem anáguas, de morim ou de tecido simples, como o algodão ou chitinha;

Maneiras de usar o Ojá e o pano da Costa

- No caso das Egbóns, o pano da Costa deve ser colocado na cintura elegantemente ou sobre o peito, jamais deve ser enrolado ou torcido, feito uma faixa ou Ojá, na cintura. O uso da bata dispensa o laço.

- Uma iniciada deve saber usar o pano da Costa, pois este é uma peça do vestuário muito importante. Outro fato relevante é quanto à estampa e cor do tecido. São adequadas as estampas em listras e quadros que lembram as formas presentes na indumentária nigeriana. Quando feitos de tecido liso, devem ser de cores claras: branca, bege, rosa ou azul-claro. Nunca devem ser de cores quentes, berrantes, de seda ou estampados vivos, o que causaria “risos” entre as iniciadas mais antigas.

- Pano da Costa na cintura ou no peito é demonstração de trabalho, assim usados no barracão, quando em função religiosa. Caso contrário, no dia-a-dia do terreiro pode ser “jogado” sobre o ombro direito e se mantém esticado ao longo do tronco. Não se “dança” sem esta peça da indumentária. Mesmo fora do trabalho, para visita ou passeio o seu uso é indispensável. Em casas tradicionais, quando uma iniciada chega sem o pano da Costa é comum a proprietária do terreiro emprestar um à visitante, que, em sinal de educação ou respeito, coloca-o sobre o ombro direito ou, se entrar na roda, usa-o de maneira adequada à sua posição dentro da hierarquia do Candomblé;

- O pano da Costa é a peça de maior significado histórico dentro do vestuário africano, em conjunto com o torso. O uso de saia, Camisu ou bata e pano da Costa são indispensáveis dentro do Axé… A maneira de amarrar, colocar ou “enrolar” o pano varia de acordo com a situação, o ritual desenvolvido ou a posição hierárquica;

-A saia, o Camisu e as anáguas são heranças européias do século passado, e ao longo dos anos sofreram algumas variações;

-Iyáwô não usa o pano na cintura, mas sim enrolado no peito.O laço é reservado para o barracão e para as que estão de obrigação. Especialmente nesta situação, o laço sobre o pano da Costa é indispensável;

- Entre as Egbóns é indispensável o uso do Camisu sob a bata. Esta nunca deve estar em cima da pele, diretamente;

-A Olòrixá tem de usar uma anágua mole, sem goma, sob a saia, para compor o traje tradicional. É intolerável que as Egbón Àgba omitam o uso desse ornamento;

- Ojá de Iyáwô deve ser mais discreto. Nas Ayabas o torso pode ter as pontas para cima, formando uma espécie de “orelha” ou “borboletas” laterais. As Egbóns podem amarrá-los com maior elegância e realce.

Diferentes usos do Ojá e do pano da Costa serve para deixar aparecer parte do cabelo ou coque na parte superior da cabeça;

- Ojá de cabeça não cobre a testa, nunca;

-As saias de todo o grupo devem ter um comprimento que cubra os tornozelos. É deselegante o uso de saias curtas ou no meio da perna, principalmente se deixarem aparecer as anáguas engomadas.

Portanto, caro leitor internauta, as vestes no Candomblé seguem regras a serem cumpridas por seus adeptos e como num fardamento militar, descrevem as posições hierárquicas num terreiro, o tempo de crença e a função destes no seu funcionamento. Num terreiro, como em tudo na vida deve existir ordem e regras que o regem para que funcionem harmonicamente com o ambiente que os envolvem. A paz de Olorum sempre a nossa frente! Até a próxima postagem!

sábado, 20 de abril de 2013

Disciplina para ser um zelador de casa de santo

Atualmente, vê-se pessoas querendo fazer santo só para abrir um templo de candomblé , e na verdade são poucas que fazem o santo por amor ao Orixá. Algumas por enfermidade mas a maioria o faz visando lucros , o que é um absurdo.

Para ser um zelador de santo, se deve primeiro ser um bom yàwó sempre presente nos afazeres do terreiro ou templo de santo cumprir com suas obrigações e deveres para com o Orixá e ter disciplina, e principalmente ter suas obrigações de santo em dia.

Ao 4° ano de santo já com autorização do seu Pai ou Mãe de santo aí sim, podendo abrir seu próprio YLÊ-AXÊ sempre sendo supervisionado pelo seu zelador (a).

Não existe zelador de santo com um ano ou dois , ou três anos de santo .

Um yàwó é como uma criança e não existe uma criança que é um chefe de família. Primeiro ela terá que estudar crescer amadurecer para se tornar um dia um chefe de família podendo então construir sua família , a mesma coisa é um filho do santo ele deve aprender crescer espiritualmente e ai sim ele estará pronto para ter seus filhos do santo para zelar por eles. É uma grande responsabilidade cuidar de um templo de casa de santo!

E o médium tem que ter firmeza em todas as linhas tanto na direita como na esquerda.

A espiritualidade é como se fosse um casamento o corpo e o espírito. Quando casamos nos entregamos um ao outro , assim é o médium. Ele tem que se entregar de corpo e alma para que a entidade possa fazer parte de sua vida e ajudar as pessoas necessitadas.

Nem todos tem o dom de ser médium de incorporação, assim como nem todos são médicos , policiais , construtores ,eletricistas , na religião, por isso devemos nos conscientizar.

Há várias modalidades mediúnicas, a saber:

1) Mecânica de Incorporação

A mais popular pelos terreiros espalhados pelo Brasil. A Incorporação, como é conhecida, é o que faz com que os terreiros recebam dezenas e centenas de pessoas na expectativa de escutarem uma mensagem de paz, amor e tranquilidade das entidades.

Apesar de ser o principal meio de comunicação com o Astral Superior, SÃO RARAS AS PESSOAS QUE CONHECEM OS PROCESSOS MAIS SUTIS DA MECÂNICA DE INCORPORAÇÃO. Alguns levam-na as raias do fanatismo, com suas vagas ideias.

A mecânica de incorporação está dividida em duas partes:

- incorporação inconsciente;

- incorporação semi-inconsciente

Alguns pregam uma terceira modalidade que seria a CONSCIENTE, porém nesta não ocorre o processo de incorporação propriamente dito. É o que chamamos de IRRADIAÇÃO INTUITIVA.

Para haver incorporação a entidade atuante deve fazer uso de 3 partes fundamentais da constituição etéreo-física do médium:Parte psíquica, Parte sensorial – sensitiva e Parte motora.

Na irradiação intuitiva a entidade só faz uso da função psíquica do médium; portanto não é incorporação.

Na incorporação a entidade não entra no corpo do médium pela cabeça, como muitos dizem. Na verdade, a entidade incorpora-se apenas se liga magneticamente ao Corpo Astral do médium em algumas regiões chaves que são:

1ª REGIÃO - núcleos vibracionais superiores - região ENCEFÁLICA.

2ª REGIÃO - núcleos intermediários - região TORACO-ABDOMINAL.

3ª REGIÃO - núcleos vibracional genésico - região do CÓCCIX.

SEM LIGAR-SE A ESSES 3 PONTOS NO CORPO ASTRAL DO MÉDIUM, NÃO HÁ A INCORPORAÇÃO. CASO A ENTIDADE ACHE NECESSÁRIO ELA PODE ATUAR EM OUTROS 3 PONTOS DISTINTOS, MAS NO MÍNIMO EM 3 DELES. Esse é o conceito básico para ocorrer o processo da incorporação.

Na incorporação INCONSCIENTE, há uma tomada total, deixando o médium completamente inconsciente, como se estivesse em sono profundo. A passividade do médium é total, fazendo com que a entidade tenha plenos poderes sobre seu corpo físico, isto controlando toda sua parte psíquica, sensorial e motora. O médium não tem consciência nenhuma, durante do transe mediúnico e nem lembranças após o mesmo.

Hoje, tal incorporação restringe-se aos médiuns com uma sistemática evolutiva pouco trabalhada.

Na incorporação SEMI – INCONSCIENTE, há perda relativa ou parcial, essa perda da consciência obedece a uma graduação, isto é temos em termo de porcentagem de inconsciência, o qual pode variar de 10% a 90% no máximo.

Na incorporação SEMI-INCONSCIENTE, liga-se a médiuns de karma probatório um pouco mais avançado passando para o evolutivo (a escala evolutiva destes médiuns varia), por isso a porcentagem de inconsciência também, de acordo com cada um).

No inicio da mediunidade, varia sempre entre 5% e 10%, com o desenrolar do desenvolvimento, a porcentagem vai aumentando, chegando a níveis de 40% e 60%, o que já é considerado altíssimo.

Essa incorporação semi-inconsciente é destinada aos médiuns de graus evolutivos melhores, porque através da mediunidade, o médium aprende com a entidade:

a) Como ajudar as pessoas de forma mais adequada;

b) Ser mais caridoso;

c) Ser mais generoso e benevolente;

d) Atender todos sem distinção.

Esse é o real objetivo da mediunidade, ajudar os seres desenvolverem-se espiritualmente e deste modo caminharem mais rápido rumo a evolução.

Dependendo da vibração original da entidade (da linha), os pontos ou regiões atuadas podem VARIAR, provocando diferenças fundamentais nas incorporações, sendo que o médium mais experiente, só pelos fluídos saberá identificar a vibração (a linha), mas será atuada no mínimo 3 pontos.

De acordo com o trabalho realizado, o médium poderá ter mais ou menos recordações sobre a atuação do seu mentor.

Quando o médium está BEM INCORPORADO ele NÃO PENSA, portanto tudo que vê e ouve é o seu mentor atuando, isso varia de acordo com o percentual de cada médium.

Na incorporação semi-inconsciente POSITIVA, o médium quase não tem domínio de seus movimentos (pois seus sentidos são rebaixados e não passivo), sempre variando de 10% a 90%.

Quanto mais experiente for o médium, mais rápido se desliga, é mais fácil de ser atuado pela entidade, podendo estar com até 30% de consciência, MAS SEU COMPLEXO MENTAL É FRENADO, NÃO PENSA. É como se sua mente parasse temporariamente de trabalhar, assim tudo que sai da sua boca é palavra da entidade, isso INFLUENCIA A FONAÇÃO COMPLETAMENTE.

A MEDIUNIDADE NUNCA É PERFEITA, SEMPRE HÁ O QUE MELHORAR, portanto O DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO É MUITO IMPORTANTE para a evolução do médium. Mas só isso não basta, não podemos nos esquecer da conduta MORAL ESPIRITUAL (não só a moral imposta pela sociedade, mas sim uma moral calcada nos NOBRES PRECEITOS DIVINOS).

Se o médium tiver uma conduta desleixada, fútil, se prendendo demais a valores materiais, esquecendo o objetivo da mediunidade (caridade e evolução espiritual) = se afinará só com espíritos de baixo calão vibratório = prejudicará seus complexo astrofísico = atrapalha MUITO sua evolução.

Portanto, caro leitor internauta, para ser um zelador de santo e merecer as dádivas e atribuições desta denominação deve-se cumprir rigorosamente com as obrigações ao seu Orixá e assim poder evoluir espiritualmente e não desviar na sua trajetória do bem!

Caminhemos com a Luz de Olorum sempre a nos guiar! Até a próxima postagem!


Quem sou eu

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Pedagogo por formação, terapeuta holístico cuja mediunidade aflorou aos 5 anos de idade e desde então vêm crescendo na sua trajetória de vida voltando-se aos estudos da espiritualidade. Alia a mística e a ciência para ajudar a aqueles que o procuram para auxiliar na transposição de obstáculos que a vida a eles impõe.

Além de terapeuta holístico (registrado na Ordem dos Terapeutas Holísticos do Brasil, sob cadastro OTH015), numerólogo, também é adepto do Candomblé e tem como Orixá Iansã, Deusa dos Raios, a qual é regente da vida dele: “Em Iansã, deposito toda fé e confiança! “ – palavras de Alyryo.

Aqui, ele esclarece sobre aspectos desta Entidade, através de artigo publicado na revista 'A História dos Orixás' páginas 50 a 52(Clique aqui para acessá-las).

Aqueles que tiverem dúvidas, curiosidades ou mesmo questionamentos sobre assuntos inerentes a:

Numerologia,

Cartomancia,

Jogo de Búzios(IFÁ),

Psicanálise Holística,

Terapia de Vidas Passadas(TVP)

Poderão dirimi-las em contato direto com este médium-vidente pelo e-mail:'alyriobrasileiro@yahoo.com.br'ou pelo tel: (71) 8158.4582 sendo estes também os contatos para marcação de consultas
( que também podem ser feitas por telefone)

Ao Internauta:

Este blog é um canal aberto entre mim e o público em geral. Para que possamos nos comunicar e discutir sobre temas vários como o Candomblé, religião da qual sou adepto a 27 anos.
Nele também estão postadas reportagens feitas comigo pela imprensa baiana e paulista aos quais falo um pouco sobre o meu trabalho como terapeuta e como médium, além de contar como tudo começou já na minha infância.
Espero poder contar com a colaboração de todos os internautas que o acessarem deixando seus comentários sobre as minhas postagens para que possamos crescer juntos em experiências e fazer novas amizades.
Em tempo, convido aqueles que desejarem conhecer mais sobre o meu trabalho que façam contato pelas vias aqui divulgadas.
Enfim, que este seja nosso ‘espaço virtual’ onde poderemos manter contato e estreitarmos nossos laços de amizade! Sejam todos bem vindos!"

Obrigado Amigos! Ultrapassamos a marca dos 1.000 acessos!

Ultrapassamos a marca de 1.000 acessos ao nosso Blog! Dado este pontuado desde o seu lançamento em Junho de 2010 e nesta oportunidade gostaria de agradecer o apoio de todos os que o acessaram e que nos deram retorno das postagens que realizei durante o período.

Fico muito feliz com a aceitação do trabalho, o que me estimula a prosseguir usando este canal de comunicação com o mundo, onde posso expressar minha ideias e opiniões ao tempo em que também me possibilita saber o que pensa o público que me procura tanto presencial quanto virtualmente. Fora a oportunidade de falar sobre a minha religião o Candomblé, da qual sou adepto a 27 anos na qual ponho toda fé e dela me considero um instrumento de ajuda para aqueles que dela tanto necessitam.

Gostaria que me enviassem sugestões de temas que vocês gostariam de ver comentados por mim no blog e que também me ajudem a divulgar a existência desta nossa via de comunicação.

Mais uma vez agradeço as visitas, críticas e sugestões: através destas é que crescemos e aprendemos sempre! Que Olorum ilumine os nossos caminhos!

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